Infelizmente vivemos tempos de falência ética e moral no Brasil. Dos políticos não esperamos mais nada. Agora, nossa esperança reside na atuação do Judiciário e do jornalismo, que deve dar visibilidade e transparência aos descaminhos da sociedade. Isto já acontece, de maneira caótica e intuitiva, na Internet mas, precisa atingir a TV e as grandes redes.
Nos Estados Unidos, as grandes redes de comunicação estão inquietas e procurando maneiras de integrar à Internet às suas redações tradicionais. Por aqui, temos alguns timídos ensaios. Desde a compra de material instantâneo de fotográfos amadores, equipados com celulares, até a insípida sugestão de pautas e denúncias para as redações apurarem os fatos.
Assim como Barack Obama inaugurou um novo tipo de político sintonizado com as facilidades na tecnologia e boa parte da campanha presidencial americana se desenvolveu via Internet, estamos diante de novos desafios e formas de expressão. A democracia representativa que, cada vez mais, representa menos está com seus dias contados. A Internet vai ajudar a acelerar nossa passagem para uma democracia cada vez mais participativa.
No jornalismo, acredito que seria mais produtivo e eficaz para construir a sociedade justa que desejamos se tivéssemos um jornalismo mais critico e analítico. Na prática, mais investigação e exposição dos fatos, tendo como contraponto opiniões divergentes dos envolvidos. O foco deve estar na exposição das consequências dos atos dos personagens das reportagens. Acho que, com tanta informação, não está claro para a sociedade as relações de causa e efeito. Com tanta notícia, em flashes descolados da realidade e sem acompanhamento, parece que vivemos em tempos de crime sem castigo!
Se continuarmos a ver e retratar o mundo com a visão estreita de Homer Simpson, que tipo de sociedade estamos legando aos nossos herdeiros? Naturalmente, uma emissora tem compromissos com a audiência e anunciantes. Ninguém está sugerindo que se ignore isto. Mas é preciso trabalhar um novo jornalismo, mais responsável e menos contemplativo. Um jornalismo que aproveite a Internet e todas as suas testemunhas, que são agentes e pacientes, para dar transparência às causas e efeitos que afetam nossa vida em nossos vários papéis sociais, de espectador à internauta, de pai para filho, de patrão para empregado, de contribuinte à cidadão.